27 de agosto de 2012

Diário de uma peregrina #3


Valença do Minho - Mós

Neste terceiro dia de caminho deixamos Portugal e passamos a percorrer o Caminho Português de Santiago na parte espanhola. Trocamos o "bom caminho" pelo "bon camiño".
Começamos logo de manhã a atravessar o Rio Minho e a entrar em Tui.

             Na ponte                          Rio Minho

Em Tui "só" faltam 114km para Santiago.
Bom Caminho!

Almoçamos nesse dia no cimo dum monte onde havia umas mesas de piquenique e aproveitamos para descansar e lavar alguma roupa e seca-la ao sol. Tivemos a companhia dum cão que andava meio perdido e ajudou-nos a comer a pizza que tínhamos feito no dia anterior em Valença. Depois desta parte do Caminho, chegamos a uma zona industrial que foi a pior parte do Caminho, durante quilómetros e quilómetros só víamos mais e mais alcatrão para percorrer. 

O local onde almoçamos.

O almoço muito saudável. 

A companhia canina. 

Depois da zona industrial chegamos a Porriño, uma cidade muito bonita e aproveitamos para carimbar a credencial no albergue de Porriño que era ao contrário do albergue em que ficamos nessa noite, novo e em muito bom estado.

Porriño

Albergue de Porriño


O Caminho a partir de Porriño custou-nos muito, as dores no ombro começaram a fazer-se sentir cada vez piores, o calor apertava e o facto de andarmos com 3 tomates na mão que compramos à saída de Porriño para o jantar também não ajudava.

Estávamos de tal maneira cansadas que já nem sequer falávamos uma com a outra, só queríamos chegar ao albergue e poder descansar.
Quando por fim chegamos ao albergue de Mós, íamos a subir as escadas e uma rapariga disse-nos...

Ela: Vão dormir aqui? É que só há duas camas livres e estão ali dois ciclistas e eu não sei se vão dormir aqui.
Nós ficamos em silêncio e a tentar raciocínio aquilo que tínhamos ouvido.
Ela como via que nunca mais respondíamos: Falam português? 

Ainda hoje me rio sozinha quando me lembro desta cena.
Deixamos as mochilas no albergue e fomos falar com os hospedeiros para ficarmos com as últimas camas livres, o senhor espanhol não era mesmo nada simpático e disse-nos que eram as últimas duas camas, os próximos tinha que ir para Redondela que é a 10km de distância. 

Na altura em que entramos no albergue para deixar as mochilas antes de irmos falar com os hospedeiros, reparei que o grupo que lá estava eram os escuteiros que tínhamos apanhado em Valença e que faziam algum barulho. A minha companheira de viagem que não é muito boa para decorar caras não se tinha apercebido que eram eles, mas a partir daí nunca mais se esqueceu deles, uma vez que os apanhamos sempre ao longo do Caminho.

Depois de nós ainda chegaram mais 5 pessoas e afinal também elas ficaram no albergue, uma vez que o albergue tinham uns colchões para por no chão, não percebo então porque foi aquela simpatia toda do Senhor do albergue.

O nosso jantar que foi dos mais saudáveis ao longo do Caminho.

4 comentários:

  1. LOLLL depois de os ver tantas vezes acho que da cara deles já não me esqueço :P
    A chegada a Mós estava custosa... nunca mais viamos nada que fosse parecido com um albergue... o tomates chegaram ao destino nem sei como, agora dá-nos para rir, mas na altura... Da próxima vez experimentamos os albergues que saltamos ;)

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    1. Ah sim! Que nós fomos enganadas! Ficamos nos piores albergues.
      Da próxima vamos fazer muita coisa diferente ;)

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  2. a primeira foto esta linda linda linda :)

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    1. Obrigada!
      Foi a Cris que tirou sem eu dar por ela :)

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