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2 de outubro de 2013

Professores.... sem louvores

"Não deixo de ficar perplexo com aquilo a que assistimos, ano após ano, no começo de cada ano escolar — opto por não utilizar a denominação "ano lectivo", porque ainda há muita gente sem professores, muitos professores sem emprego e muitas escolas sem aulas, logo, de lectivo, até agora, este ano tem muito pouco.

É preocupante que, em 2013, ainda se verifiquem casos como os que recentemente tenho visto.

Nos últimos dias, por exemplo, soube que, num país que se orgulha perante os seus parceiros europeus de ter uma educação inclusiva (onde se juntam crianças ditas "normais" com crianças com necessidades especiais, porque isto beneficia todas nos respectivos processos educativos), existem cerca de 400 crianças com necessidades educativas especiais que ainda não podem ir à escola, porque as mesmas não têm professores com as devidas competências para as acompanhar, fruto do já épico e cada vez mais ridículo processo de colocação de professores. É absolutamente inenarrável!

Conheci ainda o caso de um professor do ensino secundário que foi colocado numa escola a dar aulas ao 1.º ciclo... (calculo que estejam a franzir a testa tal como eu o fiz quando vi a peça na televisão). O "pobre diabo" viu-se forçado a uma readaptação coerciva e está dar aulas em três escolas diferentes, a turmas de 1.º e 2.º ciclos. As crianças do 1.º ciclo não lhe conseguem ler a letra que há muito deixou de ser redonda como todos a aprendemos! E deixou de ser redonda porquê? Não por desleixo, não por falta de competência, mas porque os alunos do ensino secundário não precisam de letra "da primária" para lerem o que lhes é escrito no quadro!

Mas isto ao pé da obrigatoriedade do Inglês no 1.º ciclo, convenhamos que pouco ou nada importará. Perdoe-se-me a tendência para a mesquinhice! O que não entendo é o porquê de não se acautelarem situações destas. Não consigo entender, não consigo mesmo! Porque é que ninguém se preocupa com o facto deste pobre homem não ter formação adequada para o fazer? E ninguém pensa que são as crianças quem paga a factura! Turmas com mais de 25 alunos, algumas com 45! E um professor...

Não estamos a falar do ensino universitário onde está quem quer e as aulas são muitas vezes leccionadas em auditórios com capacidade para mais de 200 pessoas. Este é o ensino obrigatório! Obrigatório para alunos e cada vez mais obrigatório e castrador para os professores! Ou seja, neste caso em particular, as crianças são então obrigadas a "aprender" com um professor do ensino secundário que se vê ele próprio a dar aulas a "putos" de oito anos...

Não menosprezando de modo algum o esforço hercúleo deste professor apaixonado de destino assim traçado e que tem o mesmo objectivo que todos nós, chegar ao fim do dia e ter pão para pôr na mesa. É assim, ou melhor, é uma tristeza, esta educação à portuguesa!"

17 de junho de 2013

Eu não fui ensinada por mágicos e feiticeiros...

Encontrei este post no facebook, apesar deste texto ser escrito por uma aluna do 12º ano, continuo a crer que muitos dos alunos e encarregados de educação consideram os professores culpados por esta greve e não o contrário.



"Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública.

Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar…

Ando há 12 anos na escola, na escola pública.
Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam.
As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica.

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores!

Talvez resida ai a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro!
Onde mora a preocupação com o futuro dos meus filhos? Dos meus netos? Quem a tem?
Onde morava essa preocupação quando cortaram os horários lectivos para metade e mantiveram os programas?
Onde morava essa preocupação quando criaram os mega-agrupamentos?
Onde morava essa preocupação quando cortaram a acção social ou o passe escolar?
Onde mora essa preocupação quando parte dos alunos que vão a exame não podem sequer pensar em usá-lo para prosseguir estudos pois não têm posses para isso?
Não somos reféns nessa altura?               
E  a preocupação com o futuro dos meus professores? Onde morava essa preocupação quando milhares de professores foram conduzidos ao desemprego e o número de alunos por turma foi aumentado?

Todas as atrocidades que têm sido cometidas contra nós, alunos, e contra a qualidade do ensino que nos é leccionado não pode ser esquecida nunca mas especialmente em momentos como este!

Os professores não fazem greve apenas por eles, fazem greve também por nós, alunos, e por uma escola pública que hoje pouco mais conserva do que o nome. Fazem greve pela garantia de um futuro!

De facto, Crato tem razão quando diz que somos reféns, engana-se é na escolha do sequestrador!

E em relação aos reféns: não são só os alunos; são os alunos, os professores, os encarregados de educação, os pais, os avós, os desempregados, os precários, os emigrantes forçados... Os reféns são todos aqueles que, em Portugal, hipotecam presentes e futuros para satisfazer a "porra" de uma entidade que parece não saber que nós não somos números mas sim pessoas!
Se há momentos para ser solidária, este é um deles! Estou convosco*"

Já não acredito no poder das greves

Hoje é o derradeiro dia... Afinal os professores fazem ou não fazem greve, há ou não há condições mínimas para se realizarem os exames nacionais de Português e Latim, todos os alunos fazem o exame ou não?

A minha posição quanto a esta greve é auto-destrutiva. Uma vez que andei estes dois últimos anos a estudar para ser professora, tendo em conta que a oportunidade de conseguir um trabalho é ainda mais escassa do que quando comecei o Mestrado em Ensino e se mesmo assim conseguir trabalhar como docente, as condições vão ser cada vez piores, mais horas de trabalho, mais alunos por turma e a treta dos mega-agrupamentos e etc, etc, etc...

Era suposto tendo em conta tudo isto e muito mais, que eu estaria de acordo com esta greve, pois mas não estou. Porque basicamente, já não acredito no poder das greves.
Era durante a hora de almoço que a minha avó lutava por mais direitos na fábrica onde trabalhava, ia para a frente da fábrica e com faixas tentava chamar a atenção das chefias, e conseguiu.
Agora os professores saem à rua, os sindicatos organizam greves, os portugueses em massa saem à rua e o que acontece? Rigorosamente nada, ou então, vamos de mal a pior.

Para mim lutar contra as injustiças do governo, criando outras injustiças para os alunos não é de maneira nenhuma uma luta justa.